Depois das esteiras de bagagem, o fluxo de pessoas seguia para uma área de portões. Uns passavam direto. Outros eram parados. Luísa viu uma placa verde grande: "Nada a Declarar". Ao lado, uma vermelha: "Bens a Declarar".
— Qual é a nossa? — Carlos perguntou.
— Acho que verde. A gente não comprou nada no avião.
— Mas trouxe eletrônicos. Notebook, tablet.
— Essas coisas são de uso pessoal, não precisa declarar. A não ser que seja novo, comprado no exterior.
— O notebook é meu, de dois anos atrás.
— Então verde.
Eles seguiram para o portão verde. Um agente da alfândega estava perto, observando as pessoas passarem. Ele não parou ninguém. Apenas olhava.
Luísa passou com a mala. O agente olhou para ela, para a mala, para ela de novo. Não disse nada.
Ela continuou andando.
— Pronto? — Carlos perguntou.
— Acho que sim.
— Se a gente tivesse comprado alguma coisa lá fora, tinha que declarar?
— Tinha. Se passar do limite de isenção, precisa pagar imposto.
— E se não declarar?
— Se pegam, multa. Perde o produto.
— Melhor declarar então.
— Melhor.
Eles saíram da área da alfândega e entraram no saguão principal do aeroporto. Pessoas esperando com cartazes, motoristas de táxi, famílias se abraçando. A viagem tinha terminado oficialmente.
Luísa segurou a alça da mala e olhou para cima. O teto de vidro deixava o sol entrar. A viagem tinha sido longa, mas todas as etapas tinham sido vencidas. Inclusive a alfândega.
— Agora é aproveitar — ela disse.
— Agora é.
*Continua em: 543 — Como passar pela alfândega sem ser parado*