Como pedir uma caneta ao comissário?

Carlos

Os formulários de imigração estavam na bandeja. Luísa já tinha preenchido o dela. Carlos olhou para o papel em branco na frente dele. As linhas esperando respostas.

— Empresta a caneta? — ele perguntou.

— Tô usando.

— Quando terminar.

Luíza terminou e entregou a caneta. Carlos segurou o plástico fino. Escreveu o nome, passaporte, data de nascimento. A tinta acabou no meio do endereço.

— A caneta morreu — ele disse.

— Já era?

— Não escreve mais.

Ele apertou o botão de chamada. Uma comissária veio.

— Pois não?

— A senhora tem uma caneta? A minha acabou a tinta.

— Tenho. Vou buscar.

Ela foi para a cozinha e voltou com uma caneta azul, daquelas de brinde de hotel.

— Aqui. Pode ficar.

— Obrigado.

Ele terminou o formulário. A caneta nova escrevia macio, a tinta corria solta. Ele preencheu o último campo — assinatura — e guardou o papel no passaporte.

— A caneta salvou — ele disse.

— Eles sempre têm.

— Não é a primeira coisa que a gente pensa em pedir. Mas eles têm.

Ele colocou a caneta no bolso da camisa. Uma caneta de brinde, de avião, que ia servir para ele durante a viagem toda.

*Continua em: 536 — Luísa — Como agradecer ao comissário ao desembarcar?*