O avião começou a perder altitude. O sinal de cinto acendeu. A voz do comandante anunciou que faltavam quarenta minutos para o pouso. Luísa olhou pela janela e viu massas de terra verde lá embaixo, estradas finas como fios, casinhas brancas.
— Tamos quase chegando — ela disse.
— Finalmente — Carlos respondeu.
Ela olhou para o banco da frente, onde o encosto tinha um bolso com revistas. Passou a mão. Nada de formulário.
— Cadê o formulário de imigração?
— O quê?
— O formulário que a gente preenche antes de descer. Alguns países pedem.
— A gente não recebeu?
— Não.
Ela apertou o botão de chamada. Uma comissária veio.
— Pois não?
— A senhora tem o formulário de imigração? A gente não recebeu.
— Tem sim. Desculpa, normalmente a gente distribui antes. Vou trazer.
Ela voltou com duas folhas de papel, cada uma com um formulário frente e verso. Letras miúdas, campos para preencher: nome, passaporte, voo, endereço de hospedagem.
— Aqui. Precisa de caneta também?
— Precisa.
— Vou trazer.
Ela trouxe duas canetas pretas.
— Preencham com letra de forma. Se tiver dúvida, é só perguntar.
— Obrigada.
Luísa apoiou o formulário na bandeja. Leu cada campo. Nome completo, número do passaporte, data de nascimento, nacionalidade, endereço no país de destino.
— Hotel? — ela perguntou.
— Hotel. — Carlos respondeu.
Ela preencheu. A letra saiu caprichada, em caixa alta, cada letra dentro do quadradinho.
— Eles levam isso a sério — ela disse.
— Levam.
— Por isso que o formulário existe.
— Preencher direito evita problema na imigração.
Ela terminou e guardou o formulário dentro do passaporte. Pronto para entregar quando chegasse.
*Continua em: 535 — Carlos — Como pedir uma caneta ao comissário?*