O avião estava lotado. Fileira após fileira de cabeças, cada assento ocupado. Carlos estava na poltrona do meio, entre Luísa na janela e um senhor de terno no corredor. O espaço era apertado. Seus ombros tocavam os dos dois lados.
— Tá desconfortável? — Luísa perguntou.
— Um pouco. O senhor do lado ocupa bastante espaço.
— Troca de lugar comigo?
— Aí você fica no meio.
— Prefiro janela.
Ele olhou para a fileira da frente. Um assento vazio na janela, do outro lado. Ele não sabia de quem era.
— Posso pedir pra trocar? — ele perguntou.
— Pergunta pro comissário se tem algum assento vago.
Ele apertou o botão de chamada. Um comissário veio.
— Pois não?
— O senhor sabe se tem algum assento vago no voo? Tô apertado aqui no meio.
O comissário olhou para o tablet que tinha na mão. Passou o dedo na tela.
— Tem uma janela vaga na fileira dezoito, lado direito. Mas é assento de saída de emergência. O espaço é maior, mas a senhora precisa aceitar a responsabilidade de abrir a porta se precisar.
— Tudo bem.
— Pode se mudar. Vou anotar aqui no sistema.
Carlos se levantou, pegou a mochila no compartimento superior. O senhor do lado se apertou na poltrona para deixar ele passar.
— Obrigado — Carlos disse.
— Imagina.
Ele caminhou até a fileira dezoito. O assento estava vago, janela, com espaço extra para as pernas. Ele sentou. A diferença era imediata. As pernas esticadas, os ombros livres. Um conforto que não sentia havia duas horas.
— Muito melhor — ele murmurou para si mesmo.
Luísa virou a cabeça e sorriu.
— Ótimo.
— Perguntar resolveu.
*Continua em: 534 — Luísa — Como pedir ao comissário um formulário de imigração?*