O avião estava taxindo na pista. Os motores rugiam, a vibração passava pelo chão. Luísa olhou para o compartimento superior, onde a mochila dela estava apertada entre outras malas. A porta do compartimento estava entreaberta.
— A minha mochila não fechou direito — ela disse.
— Abriu? — Carlos perguntou.
— Não, mas tá mal encaixada. Se o avião sacudir, pode cair.
— Pede pro comissário guardar.
Ela olhou para o fundo do avião, onde um comissário estava sentado no assento dobrável perto da saída. Ele usava o cinto de segurança, mas estava de olho na cabine.
— Comissário? — ela chamou.
Ele se levantou e veio, andando pelo corredor com passos seguros mesmo com o avião em movimento.
— Pois não?
— Minha bolha não fechou direito. A mochila tá mal encaixada.
O comissário olhou para cima, avaliou a situação.
— A senhora pode tirar a mochila e eu guardo num compartimento mais seguro, perto da cozinha. Lugar de tripulação.
— Pode?
— Pode. A senhora prefere deixar aqui ou lá?
— Lá é mais seguro.
— Então tira.
Luísa se levantou, puxou a mochila pelo alça. O comissário estendeu a mão.
— Deixa comigo.
Ela entregou. Ele levou a mochila para o fundo, abriu um armário na cozinha e colocou lá dentro, bem encaixada entre cobertores.
— Quando descer, é só pedir que eu pego.
— Obrigada.
Ele voltou para o assento dele. O avião continuou taxindo.
Luísa se sentou, o cinto apertado.
— Resolvido.
— Não é complicado — Carlos disse.
— Não é. Eles guardam. É só pedir.
*Continua em: 533 — Carlos — Como pedir ao comissário para trocar de assento?*