A comida já tinha sido servida, o café tomado, a revista lida. Luísa estava entediada. Ela olhou para a cabine fechada do piloto, a porta de madeira com a janelinha redonda.
— Carlos.
— Hm?
— Será que dá pra mandar um recado pro piloto?
— Tipo o quê?
— Sei lá. Agradecer pelo voo tranquilo. Pedir pra ele passar por um ponto turístico.
— Acho que pedindo pro comissário, ele leva.
Ela apertou o botão de chamada. Um comissário alto, de cabelo raspado, apareceu.
— Pois não?
— Será que dá pra mandar um recado para o piloto?
O comissário inclinou a cabeça.
— Depende do recado. Se for uma mensagem, posso levar. Mas ele não pode se distrair agora, estamos em cruzeiro.
— É só agradecer. O voo tá muito tranquilo, a tripulação foi muito educada. Queria que ele soubesse.
O comissário sorriu.
— Isso eu posso levar. Nome da senhora?
— Luísa.
— Vou anotar e passo para ele quando der uma pausa.
— Obrigada.
— Eu que agradeço. A gente não ouve isso todo dia.
Ele foi para a cabine, bateu na porta, disse alguma coisa. Luísa não ouviu o que foi, mas viu a porta se abrir por um instante e o comissário falar com alguém lá dentro. Depois a porta fechou.
Ele voltou.
— O comandante agradece. Mandou dizer que o voo tranquilo é mérito de todo mundo, mas que receber o feedback faz o dia melhor.
Luísa sorriu.
— Obrigada.
— Imagina.
Ela se virou para Carlos.
— Consegui.
— Mandou o recado.
— Não é tão difícil. É só pedir pro comissário e ele leva. Coisas boas também se pede.
*Continua em: 531 — Carlos — Como pedir ao comissário para ver o cockpit?*