Como pedir aspirina ao comissário?

Carlos

A dor começou devagar, uma pressão surda atrás dos olhos. Carlos apertou a ponte do nariz com os dedos e piscou. A luz da cabine parecia mais forte do que antes.

— Tá tudo bem? — Luísa perguntou.

— Dor de cabeça. Deve ser a pressão da cabine.

— Quer pedir um remédio?

— Eles têm?

— Geralmente têm kit de primeiros socorros com analgésico.

Ele hesitou. Pedir remédio para o comissário parecia algo exagerado. Mas a dor estava crescendo, uma pulsação constante nas têmporas.

Ele apertou o botão de chamada.

Uma comissária veio.

— Pois não?

— Vocês têm aspirina ou algum analgésico? Tô com uma dor de cabeça.

— Tenho sim. Dipirona ou paracetamol?

— Paracetamol, se tiver.

— Vou buscar.

Ela foi até a cozinha e voltou com um comprimido numa embalagem individual, um copo de água.

— Aqui. A senhora pode tomar agora.

— Obrigado.

Ele engoliu o comprimido com a água. A pílula desceu, amarga por um segundo, e logo sumiu. Agora era esperar fazer efeito.

— Demora quanto tempo? — ele perguntou.

— Uns vinte minutos. Se não passar, a senhora pode tomar outro, mas com intervalo de seis horas.

— Certo.

A comissária guardou o que sobrou do kit e voltou ao posto.

Carlos recostou a cabeça no banco e fechou os olhos. A luz da cabine ainda incomodava, mas agora o comprimido estava no caminho. Vinte minutos e a dor ia embora. Ou pelo menos ia diminuir.

— Pedir remédio pareceu estranho, mas ajudou — ele disse.

— Por isso que existe comissário. Pra isso também.

*Continua em: 528 — Luísa — Como perguntar ao comissário sobre a duração do voo?*