O ar da cabine estava seco. O tipo de secura que deixava a garganta áspera, os lábios ressecados. Luísa passou a língua nos lábios e sentiu a pele rachada.
— Preciso beber alguma coisa — ela disse.
— Água? — Carlos perguntou.
— Queria um suco. Alguma coisa com gosto.
Ela apertou o botão de chamada. Uma comissária apareceu em menos de trinta segundos.
— Pois não?
— Vocês têm suco?
— Temos. Laranja, uva e manga.
— Manga, por favor.
— Com gelo?
— Pode ser.
A comissária voltou com um copo alto, cheio de suco de manga, gelo tilintando nas bordas. Serviu na bandeja de Luísa.
— Se quiser mais, é só pedir.
— Obrigada.
Luísa pegou o copo. A manga estava gelada, doce, o sabor forte enchendo a boca. Ela bebeu metade de uma vez, sentindo o líquido descer e molhar a garganta seca.
— Tava precisando — ela disse.
— Dá pra ver.
— Suco de avião é uma das coisas mais gostosas que existem.
— É mesmo?
— É. É concentrado, mas é bom.
Ela bebeu o resto devagar, sentindo o gelo bater nos dentes. O suco de manga era artificial, mas naquele momento, com a garganta seca e o ar condicionado batendo, era a melhor coisa que podia ter pedido.
*Continua em: 527 — Carlos — Como pedir aspirina ao comissário?*