O voo já estava no ar havia duas horas. As luzes da cabine estavam acesas, as cortinas das janelas semi-abertas. Um fio de sol entrava pelo vão, riscando o braço de Carlos.
— Acho que o Pedro ia gostar disso aqui — ele disse.
Luísa olhou para ele.
— Pedro, seu filho?
— Tô pensando na próxima viagem. Se ele vier junto, como é que faz com a comida? Ele é chato pra comer.
— Pede refeição infantil.
— Tem?
— Tem. A maioria das companhias tem opção infantil. Mas tem que pedir na hora de comprar a passagem.
Carlos apertou o botão de chamada. Uma comissária veio, o uniforme azul, o cabelo preso, um crachá no peito.
— Pois não?
— Só uma curiosidade — ele disse. — Se eu viajar com uma criança, como funciona a refeição infantil?
— A senhora pode solicitar no momento da compra da passagem, no site ou no aplicativo. São opções mais leves, que as crianças costumam aceitar melhor.
— Tipo o quê?
— Macarrão, nuggets, purê, frutas. Varia de companhia pra companhia.
— E se a criança for muito pequena? Tipo, um ano?
— Aí a senhora pode pedir a refeição de bebê, que é papinha. Também no momento da compra.
Carlos segurou o celular e abriu o aplicativo da companhia. Foi até a parte de reservas.
— Dá pra pedir agora, mesmo sem a passagem comprada?
— Dá pra simular. A opção aparece na hora de selecionar o voo, antes de pagar.
Ele passou o dedo na tela. Encontrou o campo. Refeição especial. Infantil.
— Aqui, olha.
Luísa inclinou a cabeça para ver a tela.
— É, é por aí.
— Fácil — ele disse.
— Porque você perguntou.
Ele guardou o celular. Não ia viajar com Pedro agora, mas sabia como fazer. Pedir a refeição infantil no momento da compra. Escolher a opção antes de pagar. Era simples, mas se não perguntasse, não saberia.
*Continua em: 524 — Luísa — Como pedir uma refeição sem lactose ao comissário?*