O voo estava na metade. As bandejas do jantar já tinham sido servidas e recolhidas. Luísa estava com a revista de bordo aberta, mas não lia. Pensava na comida.
— O jantar era carne — ela disse.
— Era — Carlos respondeu.
— Eu não como carne vermelha.
— Pediu a refeição vegetariana?
— Não pedi. Achei que ia ter opção sem carne no cardápio normal.
— Tinha frango.
— Frango é carne.
Carlos parou.
— É verdade.
Luísa apertou o botão de chamada. Uma comissária veio.
— Pois não?
— O jantar de hoje era carne. Eu sou vegetariana, não pedi a refeição especial com antecedência. Ainda tem alguma opção sem carne?
A comissária pensou por um segundo.
— Tenho uma salada de entrada que não serviram ainda. E um pão com pasta de grão-de-bico. Não é um prato quente, mas quebra o jejum.
— Serve.
A comissária voltou com uma tigela pequena de salada — alface, tomate-cereja, cenoura ralada — e um pão sírio com uma pasta verde-claro ao lado.
— A pasta é de grão-de-bico com hortelã.
— Obrigada.
Luísa comeu a salada primeiro. O molho era simples, vinagrete. Depois o pão com a pasta. O grão-de-bico era temperado com limão, a hortelã fresca.
— Tá bom? — Carlos perguntou.
— Tá. Mas não é um jantar.
— Na próxima você pede a refeição especial na hora de comprar a passagem.
— Sei disso agora.
Ela terminou o pão e tomou um gole de água. Não era o jantar que queria, mas resolveu. A próxima vez, ela lembraria. Refeição vegetariana se pede antes. Ou come salada.
*Continua em: 523 — Pedir refeição infantil ao comissário*