A tela individual do banco da frente mostrava o menu de filmes. Luísa passou o dedo na tela tátil, navegando pelos títulos. Um romance, uma comédia, um documentário sobre vulcões.
— Queria ver um filme — ela disse.
— Vê — Carlos respondeu.
— Mas esqueci meu fone em casa.
— Os da avião são ruins, mas quebram o galho.
Ela olhou em volta. A comissária estava no fundo do corredor, organizando bandejas. Luísa apertou o botão de chamada.
A comissária veio.
— Pois não?
— Vocês têm fones de ouvido? Esqueci o meu.
— Tenho sim. Vou trazer.
A comissária foi até a parte traseira e voltou com um par de fones embalados num saquinho plástico transparente. O fone era simples, de plástico branco, com o logotipo da companhia.
— Aqui. É cortesia do voo.
— Obrigada.
Luísa abriu o saquinho e colocou os fones. O plástico era duro, o som não era dos melhores, mas funcionava. Ela escolheu o documentário sobre vulcões e apertou play.
A imagem na tela mostrava um vulcão soltando fumaça cinza contra um céu azul. A narração começou no ouvido. O barulho das turbinas desapareceu.
— Tá bom? — Carlos perguntou.
— Tá bom.
Ela se acomodou no banco, os fones no lugar, a tela iluminando o rosto. Um filme, um fone, uma viagem. Não precisava de mais.
*Continua em: 521 — Carlos — Como pedir uma refeição especial ao comissário?*