O avião estava em cruzeiro. O sinal de cinto apagado. As pessoas começavam a se movimentar no corredor. Carlos estava com a revista de bordo aberta no colo, mas não lia.
— Será que pode pedir cerveja? — ele perguntou.
— Lógico que pode. — Luísa respondeu sem tirar os olhos da janela.
— É de graça?
— Em voo internacional, sim. Em nacional, depende da companhia. Mas a nossa serve bebida alcoólica.
Ele apertou o botão de chamada. Uma comissária apareceu em segundos.
— Pois não?
— Uma cerveja, se tiver.
— Tem. Heineken ou Brahma?
— Heineken.
— Gelo?
— Pode ser.
Ela voltou com a latinha e um copo. Colocou na bandeja.
— Mais alguma coisa?
— Só isso, obrigado.
Carlos abriu a lata. O som do gás escapando foi seguido pelo cheiro de malte. Ele serviu no copo, a espuma subindo até a borda.
— Cerveja no avião — ele disse, levantando o copo.
— Brinde a quê? — Luísa perguntou.
— A voar sem escalas.
Ela riu e tocou o copo de água dela no copo de cerveja dele. O tilintar se perdeu no barulho das turbinas.
Ele bebeu. A cerveja estava gelada, no ponto certo. Não era geladíssima, mas era o suficiente para ser boa.
— Bom — ele disse.
— Viajar tem dessas vantagens.
Ele apoiou o copo na bandeja e olhou pela janela. O céu alaranjado do fim de tarde, as nuvens lá embaixo, a cerveja gelada na mão. Pequenos prazeres que tornavam a espera melhor.
*Continua em: 518 — Luísa — Como pedir cobertor ao comissário?*