O voo estava tranquilo. A aeromoça passava pelo corredor com um carrinho de bebidas quentes, o cheiro de café se espalhando pela cabine. Luísa sentiu o aroma e virou a cabeça.
— Café — ela murmurou.
— Quer? — Carlos perguntou.
— Quero.
Ela esperou o carrinho chegar perto. A comissária parou na fileira da frente, serviu um passageiro, depois virou para ela.
— Café?
— Sim, por favor. Leite?
— Tem leite frio ou leite quente. Qual prefere?
— Quente.
A comissária serviu o café numa xícara de papel, adicionou o leite quente de uma jarra térmica, colocou um sachê de açúcar ao lado.
— Açúcar está aqui. Se quiser adoçante, também tenho.
— Açúcar tá ótimo.
Luísa segurou a xícara. O calor passou pelo papel e aqueceu a palma da mão. Ela levou ao nariz antes de beber. O cheiro de café fresco num avião era diferente. Mais forte, mais encorpado.
Ela deu um gole. Estava quente na medida, o leite equilibrando o amargor.
— Bom? — Carlos perguntou.
— Muito.
Ela segurou a xícara com as duas mãos, o calor subindo pelo braço. Lá fora, o céu estava azul, as nuvens lá embaixo. O café na mão, a janela com vista, o barulho das turbinas ao fundo. Não precisava de mais nada naquele momento.
*Continua em: 517 — Carlos — Como pedir cerveja ao comissário?*