Como pedir água ao comissário de bordo?

Luísa

O avião já estava no ar há quarenta minutos. O barulho das turbinas preenchia a cabine, um zumbido constante que entrava nos ouvidos e não saía. Luísa estava na janela, a luz do sol batendo no rosto, a boca seca.

— Tô com sede — ela disse.

Carlos estava ao lado, folheando a revista de bordo.

— É só pedir.

— O comissário passou faz tempo.

— Então chama.

Ela olhou para o corredor. Um dos comissários estava perto da cortina da cozinha, organizando bandejas. Ela levantou o braço, mas ele não viu. Ela tentou de novo, um movimento mais aberto. Nada.

Ela respirou e chamou em voz alta, sem gritar:

— Comissário?

O rapaz virou a cabeça. Tinha uns trinta anos, uniforme azul, cabelo curto, um sorriso profissional pronto.

— Pois não?

— Será que eu posso pedir um copo de água?

— Água, certo. Vou trazer.

Ele sumiu atrás da cortina por uns segundos e voltou com um copo de plástico com água e uma garrafa individual.

— Aqui. Se quiser mais, é só pedir.

— Obrigada.

Luísa pegou o copo e bebeu. A água estava fria, quase gelada. Passou pela garganta como alívio.

— Foi fácil — ela disse.

— Falei.

— Mas eu tive que chamar. Ele não ia adivinhar.

Ela bebeu mais um gole e colocou o copo no apoio do banco. A água gelada na boca seca era uma das melhores coisas que existiam. E ela quase não pediu por achar que era incômodo.

*Continua em: 515 — Carlos — Como pedir refrigerante ao comissário?*