Como reclamar de extravio de bagagem no aeroporto?

Carlos

A esteira de bagagens rodava vazia. As últimas malas já tinham passado. Pessoas pegavam suas coisas e iam embora. Carlos ficou parado, os olhos fixos na abertura escura de onde as malas saíam. Nada.

— A nossa não veio — ele disse.

— Tem certeza? — Luísa perguntou.

— A esteira já parou duas vezes. Só tem uma mochila marrom lá.

Ela olhou para a mochila solitária rodando na esteira, sendo levada para o outro lado e voltando. Não era deles.

Carlos respirou fundo e foi para o balcão da companhia. Uma funcionária de colete azul estava atrás do computador, os olhos na tela.

— Boa noite. Minha bagagem não chegou.

— Qual o número do voo?

— Seiscentos e quarenta.

A funcionária digitou.

— E a etiqueta de despacho?

Carlos puxou o celular. Ele tinha tirado foto da etiqueta colada na mala antes de despachar. Mostrou a tela.

— Aqui. O código de barras.

— Ótimo. — A funcionária leu o código e digitou no sistema. — Sua mala está em São Paulo. Ela não foi embarcada no voo de conexão.

— E agora?

— A senhora vai preencher um formulário de irregularidade. A mala será encaminhada para o endereço que a senhora informar.

Ela virou o monitor para ele mostrar o formulário. Campos: nome, endereço, telefone, descrição da mala.

— Marca, cor, modelo — a funcionária leu. — Conteúdo aproximado.

Carlos foi respondendo. A mala era azul-marinho, com rodinhas, zíper, um adesivo do Toby na lateral.

— Conteúdo? — ele repetiu.

— Só uma estimativa. Roupas, sapatos. Não precisa detalhar item por item.

— Duas calças jeans, três camisetas, um casaco, tênis, kit de higiene, carregador.

A funcionária terminou de preencher e entregou um protocolo.

— Esse é o número do seu registro. Pode acompanhar pelo site. Quando a mala chegar, a transportadora entrega em vinte e quatro horas.

Carlos pegou o papel. Número de protocolo: 2024-067841.

— E se não chegar?

— A senhora tem até sete dias para registrar uma reclamação formal e pedir indenização.

Ele guardou o papel na carteira, ao lado dos cartões. Não era o que queria ouvir, mas era o que tinha. A mala ia aparecer. Ou não. De qualquer forma, ele tinha o protocolo.

*Continua em: 514 — Luísa — Como pedir água ao comissário de bordo?*