O painão do aeroporto estava lotado de voos. Luísa passou os olhos pela lista até encontrar o deles. Seu estômago deu um nó.
"CANCELADO" — em letras vermelhas, ao lado do número do voo.
— Cancelou — ela disse.
— O quê? — Carlos se aproximou, a mochila pendurada num ombro.
— O voo. Cancelado.
Ela leu a tela mais uma vez, como se pudesse mudar a informação. Não mudou.
— Vamos no balcão.
A fila do atendimento estava maior agora. Umas vinte pessoas. A maioria com a mesma expressão de frustração. Luísa ficou na fila, o bilhete na mão, os dedos apertando o papel.
Quando finalmente chegou na frente, uma atendente de uniforme azul-marinho a olhou com olheiras visíveis.
— Pois não?
— Meu voo foi cancelado. — Luísa colocou o bilhete no balcão. — Seiscentos e quarenta para Curitiba.
A atendente digitou no computador.
— Por motivo operacional. A aeronave apresentou problema mecânico.
— E quais são as opções?
— A senhora pode remarcar para o próximo voo disponível, que é amanhã cedo, ou solicitar reembolso integral.
Luísa olhou para Carlos. Amanhã cedo significava uma noite inteira no aeroporto ou num hotel.
— A companhia oferece hospedagem?
— Oferecemos. Podemos emitir um voucher de hotel e translado.
— E alimentação?
— Também. A senhora recebe um voucher de refeição por pessoa.
Luísa respirou fundo.
— Vou remarcar para amanhã.
A atendente digitou mais algumas coisas, a impressão de papel chiou e ela entregou um envelope.
— Aqui está a nova passagem, o voucher do hotel e o vale-refeição. O translado sai da porta de desembarque em trinta minutos.
Luísa pegou o envelope, agradeceu e virou. Carlos estava ao lado, esperando.
— Remarcou?
— Remarquei. Com hotel e jantar.
Ele soltou o ar que estava segurando.
— Podia ser pior.
Ela abriu o envelope e olhou os vouchers. Depois guardou tudo na mochila. Cancelamento de voo era um transtorno. Mas sabendo o que perguntar, virava só um desvio de rota.
*Continua em: 513 — Carlos — Como reclamar de extravio de bagagem no aeroporto?*