O saguão do aeroporto era um formigueiro de gente. Pessoas com malas, crianças correndo, vozes se misturando num burburinho constante. Luísa parou no meio do fluxo, a mochila num ombro só, o bilhete impresso na mão.
— Portão trinta e um — ela leu.
Carlos olhou em volta, as placas penduradas no teto.
— É pra lá. — Ele apontou para a ala leste.
Eles andaram por uns cinco minutos. O portão trinta e um estava vazio. Uma tela apagada. Ninguém no balcão.
— Estranho — Luísa disse. — O voo é daqui a quarenta minutos e não tem ninguém.
Ela olhou para o bilhete de novo. Depois para a tela. Depois para uma funcionária da companhia que passava com uma pasta na mão.
— Moça, por favor — Luísa chamou.
A funcionária parou e virou.
— O portão trinta e um é aqui mesmo?
— Esse é o portão. — A funcionária olhou para a tela apagada. — Mas pode ser que tenham mudado. Deixa eu ver.
Ela puxou um rádio da cintura e falou baixo. Uns segundos depois, respondeu:
— Mudaram pro portão quarenta e sete. Ala oeste.
— Oeste é pro outro lado.
— Isso. Acontece quando há mudança de aeronave. O sistema nem sempre atualiza o painel na hora.
Luísa respirou fundo.
— Obrigada.
Ela virou e começou a andar de volta, Carlos acompanhando o passo.
— Se a gente não tivesse perguntado — ele disse.
— A gente ia ficar esperando no portão errado.
— E perder o voo.
Ela apertou o passo. O portão quarenta e sete estava ativo, uma fila de passageiros já se formando. Luísa entrou na fila e olhou para trás. A funcionária já tinha sumido no meio da multidão.
Ela guardou o bilhete no bolso. Perguntar era gratis. Perder o voo, não.
*Continua em: 511 — Carlos — Como pedir informação sobre atraso de voo?*