O estacionamento do prédio tinha cheiro de concreto e poeira. Carlos estava encostado no carro, o celular na mão, olhando a tela do corretor que se aproximava.
— Pronto, podemos subir — o corretor disse, com a chave na mão.
— Antes disso — Carlos respondeu. — O senhor se importa se a gente filmar a vistoria?
O corretor parou, a chave pendurada no dedo.
— Filmar?
— É. Pra ter um registro de como o imóvel está antes de a gente assinar o contrato. Assim depois não tem discussão.
— Pode filmar à vontade. — O corretor deu de ombros. — Mas deixa eu te falar uma coisa. Se for filmar, filma tudo de uma vez, sem corte. Mostra data e hora no início. Senão o registro perde valor.
Carlos piscou. Não tinha pensado nisso.
— O senhor já passou por isso?
— Já. Inquilino filmou só os defeitos depois de mudar e quis jogar no proprietário. Sem a filmagem completa, vira palavra contra palavra.
O sol da manhã já esquentava o asfalto. Carlos ligou a câmera do celular, apertou o botão de gravar e mostrou a tela com a data na frente.
— Três de maio, vistoria do imóvel da Rua das Acácias, cento e vinte e três — ele disse em voz alta.
O corretor sorriu de lado.
— Começou bem.
Eles entraram no prédio. O elevador rangeu ao subir. Carlos manteve o celular ligado, filmando cada ambiente, cada parede, cada detalhe.
No final, quando desligou a gravação, ele olhou para o arquivo na galeria. Vinte e três minutos de registro. Se aparecesse algum problema no futuro, ele tinha a prova.
*Continua em: 508 — Luísa — Como anotar irregularidades na vistoria com o corretor?*