A varanda do apartamento tinha uma brisa fresca de fim de tarde. Luísa estava sentada na poltrona de vime com o laptop no colo, a tela clara refletindo nos olhos.
— Tô lendo o histórico do carro — ela disse sem tirar os olhos da tela.
— Que histórico? — Carlos respondeu da sala, onde mexia na estante.
— O relatório de vistoria anterior. O carro passou por três vistorias em dois anos.
Ele parou de mexer nos livros.
— Isso é normal?
— Não sei. — Ela franziu a testa. — Mas o chassi aparece limpo em todas.
Luísa clicou num link sobre adulteração de chassi. Leu rápido. O texto dizia que a vistoria atual tem scanners ópticos e químicos que detectam raspagem, remarcação ou sobreposição de numeração.
— O vistoriador passa um líquido revelador na área do chassi — ela leu em voz alta. — Se a numeração foi adulterada, o líquido mostra as marcas originais por baixo.
Carlos se aproximou, o Toby seguindo atrás, as unhas batendo no piso de madeira.
— E o scanner?
— Escaneia a profundidade da gravação. Se a numeração foi lixada e regravada, a profundidade fica diferente do original de fábrica.
Luísa fechou o laptop e olhou para ele.
— O carro da gente passou nas três vistorias sem alerta. Isso significa que o chassi tá original.
— Ou que o adulterador foi muito bom — Carlos disse.
— Também. — Ela apoiou o laptop na mesinha ao lado. — Mas o relatório mostra as fotos do chassi em cada vistoria. Dá pra comparar.
Carlos sentou no braço da poltrona. Toby deitou ao lado, o focinho entre as patas.
— Então se a vistoria for bem feita, com scanner e líquido revelador, detecta.
— Detecta. — Luísa passou a mão na cabeça de Toby. — Mas tem que ser vistoria credenciada. Não pode ser qualquer lugar.
O vento balançou a cortina. O barulho de uma moto passou na rua. Luísa olhou para o relatório impresso na mesa e pensou que a vistoria não era só um carimbo. Era um exame. E como todo exame, só funcionava se o médico fosse bom.
*Continua em: 505 — Carlos — Como saber se a vistoria inclui itens de segurança?*