O sol das nove da manhã entrava pela janela do escritório, um risco de luz em cima da mesa. Carlos estava com o celular no ouvido, o cotovelo apoiado na madeira, o olhar perdido na tela do computador.
— Alô, é da AutoVistoria?
— Sim, senhor. Em que posso ajudar?
— Então, eu comprei um carro semana passada e preciso agendar a vistoria. Só que eu queria saber se vocês fazem em casa.
A voz do outro lado hesitou.
— O senhor diz vistoria de transferência?
— Isso.
— A gente faz em casa sim. Tem uma taxa de deslocamento.
Carlos relaxou o ombro que estava tenso. Ele já tinha imaginado ter que faltar meio expediente, enfrentar fila no Detran, perder a tarde inteira.
— Qual o valor da taxa?
— Quarenta reais. E o agente vai até o endereço que o senhor informar.
— E precisa de algum documento específico?
— Só o CRLV original e um comprovante de residência. O resto a gente resolve no local.
Carlos anotou os números num post-it amarelo. CRLV. Comprovante. Quarenta reais.
— Pode ser sábado de manhã? — ele perguntou.
— Pode sim. Nove horas?
— Fechado.
Ele desligou e ficou olhando o post-it colado na borda do monitor. Na cozinha, a cafeteira apitou. Ele levantou, o celular na mão, e foi preparar o café pensando no sábado.
O agente viria até ele. A vistoria em casa, sem sair do lugar.
*Continua em: 504 — Luísa — Como saber se a vistoria detecta adulteração de chassi?*