Como proteger o irmão mais novo sem superproteger?

Luísa

Clarinha apareceu no estúdio da Luísa sem avisar. A mochila nas costas, os olhos vermelhos, o batom meio borrado.

— Lu, você pode conversar comigo?

Luísa largou a caneta digital e virou a cadeira.

— Claro. Senta.

Clarinha sentou no sofá da recepção e contou: um cara do cursinho tinha chamado ela pra sair, ela foi, e ele passou o encontro inteiro fazendo piada dela na frente dos amigos. Ela tava se sentindo humilhada.

Luísa sentiu a raiva subir. A vontade era pegar o telefone, ligar pro Carlos, descobrir quem era o menino e dar um jeito.

Mas ela respirou.

— O que você quer fazer? — Luísa perguntou.

— Não sei.

— Você quer que a gente fale com ele?

— Não. Piora.

— Quer dar um tempo de ver ele?

— Acho que sim.

Luísa ficou em silêncio. Não deu conselho. Não disse "você devia". Só perguntou.

— E o que você aprendeu com isso?

Clarinha pensou.

— Que não é porque a pessoa parece legal que ela é.

— Isso. E da próxima?

— Vou prestar mais atenção. Não vou deixar passar.

Luísa assentiu. Ofereceu um copo d'água. Não resolveu o problema. Só ajudou a Clarinha a enxergar sozinha.

Quando Clarinha foi embora, Luísa ficou pensando. Proteger não era resolver. Era ficar perto enquanto o outro descobria o caminho.

*Continua em: 498 — Carlos — Como dar conselhos a um irmão sem parecer arrogante?*