Como conversar com familiares sobre política sem briga?

Luísa

O almoço de domingo na casa da Dona Lúcia já estava no cafezinho quando o primo do Carlos resolveu puxar o assunto.

— Você viu aquela declaração do ministro?

Luísa sentiu o ar mudar. Era como se alguém tivesse acendido um fósforo perto de gasolina. A mesa inteira ficou em alerta.

— Vi — ela respondeu, neutra.

— E o que achou?

Ela podia responder com a opinião real. Ia gerar discussão. Ia gerar briga. A mesa ia se dividir em dois lados e o almoço ia terminar com clima de velório.

Ela respirou.

— Acho que cada um tira uma conclusão diferente. E no fim do dia, a gente vai continuar sendo família, independente de quem senta na cadeira presidencial.

O primo arregalou os olhos.

— Mas você não tem opinião?

— Tenho. Mas prefiro ouvir a sua primeiro.

O primo hesitou. Começou a falar, mas o tom já era outro. Menos ataque, mais conversa. Luísa ouviu, acenou, fez perguntas. Não concordou. Não discordou. Só ouviu.

No fim, o primo foi embora mais cedo e deu um abraço nela. Luísa ficou na mesa, tomando o café.

Carlos chegou perto.

— Você conseguiu não brigar.

— Política em almoço de família não é debate. É armadilha. A melhor saída é não entrar.

Ele riu.

— Você devia dar palestra.

— Prefiro dar silêncio. Funciona melhor.

*Continua em: 496 — Dar presente significativo aos pais*