O relatório do trimestre tava aberto na tela do Carlos. Os números não fechavam. Ele já tinha refeito as contas três vezes e o saldo final sempre dava diferente do que a contabilidade mandou.
Eram seis e meia da noite. O escritório já estava vazio, as luzes do open space desligadas. Só a sala do Carlos ainda tinha claridade.
Carlos encarou a planilha. Sabia que precisava de ajuda. Mas o Carlos tinha acabado de sair de uma reunião de duas horas. Pedia ajuda agora e ia parecer que não sabia fazer o trabalho dele.
Ele passou a mão na nuca. Tentou de novo. Errou de novo.
— Ainda aqui?
Carlos levantou a cabeça. Carlos estava na porta da sala, com a pasta debaixo do braço.
— O relatório não fecha.
— E você tá tentando resolver sozinho.
Carlos hesitou.
— Não queria atrapalhar.
— Me mostra.
Carlos virou o notebook. Carlos se aproximou, olhou a planilha, e em trinta segundos apontou a célula errada — uma fórmula que puxava a linha errada.
— Aqui. Referência circular.
— Nossa. Era simples.
— É. Mas você tava há quanto tempo nisso?
— Meia hora.
— Se tivesse chamado, tinha resolvido em cinco minutos.
Carlos engoliu. Carlos deu uma batidinha na mesa.
— Não é inconveniente pedir ajuda. É ineficiente não pedir.
Ele saiu. Carlos ficou olhando a tela. A fórmula corrigida brilhava na célula amarela. Ele salvou o arquivo, fechou o notebook e apagou a luz. Na próxima, ia pedir ajuda antes de perder meia hora.
*Continua em: 490 — Defender irmão em discussão*