Luísa parou na porta da casa de Dona Lúcia com um bolo de fubá na mão. O Carlos tinha ficado no carro resolvendo uma ligação do trabalho, então ela entrou primeiro.
— Dona Lúcia?
— Entra, entra!
A casa cheirava a café passado na hora. Dona Lúcia veio da cozinha com um pano de prato na mão, os cabelos grisalhos presos num coque frouxo.
— Senta, senta.
Luísa sentou no sofá da sala. Olhou em volta. A estante com as mesmas fotos, o quadro bordado que a Clarinha fez, a caneca que o Carlos deu quando criança. Ela já se sentia mais à vontade ali do que no começo do namoro.
— O Carlos falou que você andava gripada — Luísa disse. — Trouxe um bolo. Fubá, que sei que o senhor... que a senhora gosta.
Dona Lúcia sorriu.
— Você não precisava.
— Mas quis.
Dona Lúcia serviu o café. Elas conversaram sobre a semana, a Clarinha na faculdade, o Beto que tinha comprado um carro novo. Luísa não ficou olhando o celular. Não ofereceu ajuda na cozinha sem necessidade. Só ficou ali, presente.
Depois de quarenta minutos, Carlos entrou. O cheiro de café ainda estava no ar.
Luísa sabia que visitar alguém não era sobre o que levar. Era sobre estar ali de verdade, sem pressa, sem celular, sem olhar no relógio. O bolo era só um pretexto.
*Continua em: 489 — Carlos — Como pedir ajuda sem parecer inconveniente?*