A mensagem chegou no grupo da família às nove da manhã. Beto perguntava quem tinha levado o cooler do churrasco do domingo.
Carlos respondeu na hora: "Foi o Pedro, ele trouxe pra casa."
Cinco minutos depois, Beto respondeu: "Pedro falou que não foi ele. Alguém pegou?"
Carlos sentiu o estômago apertar. Ele tinha visto o cooler na casa do Beto depois do churrasco. Só que não. Ele tinha visto um cooler. Mas era o cooler azul do Beto ou o cooler verde dele?
Ele pensou em responder: "Ah, então foi outra pessoa." Fingir que não tinha dito nada.
Mas a mentira ia ficar no grupo. Alguém ia ler e achar que o Pedro tinha levado.
Ele pegou o celular de novo. Respirou.
— Fala, Beto. Desculpa, eu vi um cooler aqui em casa e achei que era o do churrasco. Mas o nosso é verde. O azul deve ter ficado na sua casa. Foi mal pela confusão.
Beto respondeu com um joinha. Clarinha mandou um sticker de "relaxa".
Carlos largou o celular na mesa. Admitir foi rápido. Mais rápido do que sustentar a versão errada. O desconforto durou segundos — não horas, como teria durado se ele tivesse insistido.
Luísa apareceu na sala com uma xícara.
— Resolveu?
— Falei que errei. Foi mais fácil do que eu pensei.
— Sempre é.
Ele olhou pra ela. Tinha passado anos achando que admitir erro era fraqueza. Mas na real, era o contrário. Quem erra e assume mostra que prefere a verdade ao orgulho.
*Continua em: 488 — Luísa — Como visitar alguém?*