O restaurante estava cheio no sábado. Carlos olhou o prato que o garçom colocou na frente dele — frango à parmegiana com um talher enfiado no arroz. O problema é que ele tinha pedido filé à milanesa.
Ele olhou pra Luísa. Ela já tinha começado a comer a salada dela.
— É isso mesmo? — Carlos perguntou baixo.
— O quê?
— Eu pedi milanesa. Isso é parmegiana.
Luísa olhou o prato.
— Troca então.
Carlos olhou em volta. O garçom já estava na mesa do lado, anotando outro pedido. O restaurante lotado. A cozinha devia estar no limite.
Ele pensou em deixar pra lá. Comer o parmegiana. Não criar caso.
— Posso falar com ele? — Luísa perguntou.
— Não, eu falo.
Carlos levantou a mão, mas o gesto ficou no meio do caminho — a mão não subiu o suficiente, o garçom não viu. Ele abaixou o braço. O coração batia mais rápido do que devia.
— Carlos — Luísa disse —, você não tá pedindo um favor. Tá corrigindo um erro.
Ele respirou. Quando o garçom passou de novo, ele chamou:
— Moço?
O garçom parou.
— Pois não?
— Olha — Carlos apontou o prato —, eu pedi o filé à milanesa. Veio o parmegiana. Dá pra trocar?
A voz saiu firme. Nem grossa, nem pedindo desculpa. Só informando.
O garçom olhou o prato.
— Milanesa, né? Foi mal. Vou trocar já.
— Obrigado.
Quando o garçom levou o prato, Carlos sentiu o ombro relaxar. Não foi nada demais. Reclamar não era grosseria. Era só avisar que algo não tava certo.
*Continua em: 484 — Luísa — Como dizer "não entendi" sem parecer burro?*