Como deixar um legado social positivo?

Carlos

O grupo de trilha que Carlos tinha entrado há meses virou um grupo de corrida. E o grupo de corrida virou uma amizade. E a amizade virou um projeto: todo mês, eles faziam uma corrida beneficente num bairro carente.

— A gente corre, arrecada alimento e entrega — o instrutor explicou. — Topa?

Carlos topou.

Na primeira edição, ele chegou cedo. Montou a barraca. Separou os alimentos. Correu com as crianças do bairro. Uma menina de uns oito anos correu do lado dele até o fim.

— Você é rápido — ela disse.

— Você é mais.

Ela riu.

— Ano que vem eu ganho de você.

— Aposto.

No fim do evento, o instrutor reuniu todo mundo e agradeceu. Carlos olhou para as sacolas de alimento, para as crianças brincando, para os adultos conversando. Era pequeno. Mas era real.

No carro, de volta para casa, ele pensou: legado não era construir um monumento. Era deixar um lugar melhor do que encontrou. Era uma corrida com uma criança. Era uma manhã de sábado doada.

Ele chegou em casa e Luísa perguntou:

— Como foi?

— Foi bom. Fiz uma amiga de oito anos. Ela disse que ano que vem me ganha na corrida.

— E vai ganhar?

— Tomara.

*Continua em: 482 — Luísa — Como inspirar as pessoas ao redor?*