O grupo de amigas do trabalho tinha uma dinâmica estranha. Toda semana, uma era alvo. Na semana passada, foi a Juliana. Essa semana, era a vez da Luísa.
— Nossa, Lu, você sempre tão formal nas reuniões. Parece que tá apresentando TCC.
As outras riram.
Luísa riu junto, mas sentiu a farpa.
Na reunião seguinte, ela falou menos. Na outra, menos ainda. Até que a Camila puxou ela no canto.
— Você tá sumindo das reuniões.
— As meninas ficam me zoando.
— Zoando como?
— Falam do meu jeito de falar.
— E você ri junto?
— Riu. Pra não parecer que não aguento piada.
Camila cruzou os braços.
— Lu, você não é obrigada a rir de piada que te diminui. Adulto também sofre bullying. Só que chama assédio moral.
Luísa parou.
Na semana seguinte, quando uma das amigas fez a piada de novo, ela não riu. Olhou nos olhos da moça e disse:
— Não gostei dessa piada. Pode parar?
A moça piscou.
— Nossa, foi brincadeira.
— Pode não ser brincadeira pra mim?
Silêncio. A moça concordou com a cabeça.
Não virou briga. Não virou climão. Só virou respeito.
Luísa entendeu: bullying adulto era mais sutil, mas doía igual. E a resposta não era revidar ou se calar. Era nomear.
*Continua em: 481 — Carlos — Como deixar um legado social positivo?*