Pedro chegou da escola com a camisa suja de barro e os olhos vermelhos. Carlos viu na hora que algo tinha acontecido.
— Filho, vem aqui.
Pedro se sentou no sofá, sem encostar.
— O que houve?
— Nada.
— Pedro. Olha pra mim.
O menino levantou o olho. O lábio inferior tremia.
— O Mateus falou que eu sou feio.
— Quem é Mateus?
— Um menino da minha sala.
— E por que ele falou isso?
— Porque eu caí na educação física e ele riu de mim. Aí eu falei pra ele parar. Aí ele falou que eu sou feio e que ninguém gosta de mim.
As últimas palavras saíram num fio de voz.
Carlos sentou no chão na frente do filho. Colocou as mãos nos ombros dele.
— Escuta. O que o Mateus falou não é verdade. Ele falou porque não sabe lidar com as próprias emoções. Mas não é verdade.
— Como você sabe?
— Porque eu sei. Você é meu filho. E eu conheço você.
Pedro fungou.
— O que eu faço quando ele falar de novo?
— Primeiro: você fala pra ele parar. Bem firme. Se ele não parar, você chama a professora.
— E se ela não fizer nada?
— Aí a gente vai conversar com a diretora. Mas você não vai ficar calado. Combinado?
— Combinado.
— E mais uma coisa: você não é o que os outros falam de você. Nunca foi. Nunca vai ser.
Pedro abraçou o pai. O abraço foi longo.
Carlos ficou ali, sentindo o peso do filho nos ombros. Bullying infantil não se resolvia com uma conversa. Mas se enfrentava com escuta, acolhimento e ação.
*Continua em: 480 — Luísa — Como lidar com o bullying na vida adulta?*