O workshop era internacional. Profissionais de cinco países no mesmo auditório. Luísa tinha um nível básico de inglês — entendia bem, mas falava travado.
No intervalo, uma designer da Argentina veio falar com ela. Falou em espanhol rápido, animado, cheio de gírias. Luísa entendeu uns 40%.
— Desculpa — ela disse. — Meu espanhol é bem básico.
A argentina sorriu.
— Não desculpa. Meu português também é básico. A gente se entende.
Elas riram. A argentina diminuiu o ritmo. Passou a falar mais devagar, apontar para as coisas, usar gestos. Luísa respondeu em português com algumas palavras em espanhol.
Funcionou.
No fim do workshop, a argentina deu o cartão para Luísa.
Na volta para casa, Luísa pensou: barreira do idioma existia, mas não precisava ser um muro. Era mais uma cerca baixa — dava para pular com boa vontade, paciência e um pouco de humildade.
Ela abriu o Duolingo no celular e fez uma lição de espanhol. Quinze minutos. No outro dia, mais quinze. Não ia ficar fluente em um mês. Mas ia conseguir dizer pelo menos "muy bien" na hora certa.
*Continua em: 477 — Carlos — Como ser um aliado?*