Como lidar com o choque cultural?

Luísa

O cliente novo era japonês. Uma marca de utensílios de cozinha que queria entrar no mercado brasileiro. Luísa ficou responsável pela identidade visual.

Na primeira videochamada, o Sr. Tanaka falou com educação, fez várias perguntas sobre o processo criativo e no fim disse: "Vou pensar."

Luísa esperou uma semana. Nada. Escreveu um e-mail educado. Mais uma semana. Nada.

— Eles desistiram? — ela perguntou para a Camila.

— Acho que não. Eles são assim. Não falam "não" diretamente.

— Como assim?

— Eles só somem. O silêncio é o "não" deles.

Luísa ficou frustrada. Queria uma resposta clara. No Brasil, tudo se falava. Mas ela pesquisou sobre comunicação japonesa e entendeu: para eles, dizer "não" era rude. O silêncio era a forma educada de recusar.

Na semana seguinte, o Sr. Tanaka respondeu: "Agradecemos o contato. Por enquanto, não seguiremos."

Luísa sorriu. O silêncio não era desprezo. Era o "não" cultural.

Ela respondeu: "Agradeço a resposta. Fico à disposição para futuras parcerias."

Guardou o e-mail e virou para a Camila.

— Choque cultural — ela disse. — Mas dá pra lidar. É só não levar pro pessoal.

— E o que você aprendeu?

— Que "não" tem muitas línguas. E que meu trabalho é aprender a ler todas.

*Continua em: 475 — Carlos — Como respeitar costumes diferentes?*