A transportadora tinha aberto uma filial no Nordeste e o Carlos convidou Carlos para passar uma semana em Recife, conhecendo a operação local.
— Vai ser bom pra você — o chefe disse. — Sai da bolha.
Carlos chegou no aeroporto dos Guararapes e sentiu o calor bater no rosto. O ar era diferente. O ritmo era diferente. No escritório, as pessoas falavam mais devagar, riam mais alto, tratavam ele por "rapaz".
No primeiro dia, ele sentou na sala de reunião e esperou. Ninguém chegou no horário.
— A reunião, pessoal? — ele perguntou.
— Calma, rapaz — o gerente local respondeu. — Tudo no seu tempo.
Carlos ficou incomodado. No segundo dia, ele observou mais. Percebeu que antes de qualquer reunião, o pessoal tomava café junto. Perguntava da família. Contava uma história. O negócio vinha depois.
No terceiro dia, ele chegou e puxou conversa antes de abrir o notebook.
— Como é que se diz "bom dia" aqui que não seja tão formal?
— Já disse: "rapaz". É assim que a gente chama.
— Rapaz? Até com chefe?
O gerente riu.
— Aqui a gente não tem essa de chefe não. Tem liderança. Liderança toma café junto.
Carlos aprendeu na prática que adaptação não era decorar regras. Era observar, perguntar e respeitar o ritmo local. Na volta, ele trouxe uma garrafa de cachaça artesanal para o Carlos e uma certeza: cultura não se muda, se entende.
*Continua em: 474 — Luísa — Como lidar com o choque cultural?*