Como encontrar seu grupo?

Carlos

Carlos estava no segundo mês de academia. Ia, treinava, voltava. Não conversava com ninguém. Colocava o fone, fazia o exercício, ia embora.

— Você fala com alguém lá? — Luísa perguntou.

— Falo com o instrutor.

— Só?

— É o suficiente.

Mas não era. Ele via o pessoal se cumprimentando, trocando série, combinando de fazer alongamento junto. Ficava na dele.

Um dia, o instrutor chamou:

— Carlos, você pode ajudar o Rafael aqui na cadeira extensora? Ele tá com dúvida na execução.

Carlos olhou. Um cara magro, novato, com cara de quem também não falava com ninguém.

— Claro — Carlos disse.

Mostrou o ajuste do banco, a posição do joelho, a respiração. O cara ouviu com atenção.

— Valeu, cara. Tô perdido aqui.

— Normal. Eu também tava.

— Quanto tempo você tem?

— Dois meses.

— E já sabe tudo?

— Só o básico. Mas o básico já ajuda.

Eles treinaram perto um do outro naquele dia. Depois do treino, Rafael perguntou:

— Vai no sábado?

— Vou.

— Vamo treinar junto?

Carlos hesitou. Mas lembrou que grupo não aparece do nada. Grupo se constrói num "vamo junto" de cada vez.

— Vamo.

No sábado, eles treinaram juntos. E na segunda de novo. No fim do mês, já tinham virado parceiros de treino.

Grupo não era um clube secreto. Era só achar alguém com um interesse parecido e ter coragem de dizer "vamo junto".

*Continua em: 472 — Luísa — Como fazer amigos em uma cidade nova?*