O café com as amigas da faculdade era sempre a mesma dinâmica: uma falava do mestrado, outra do intercâmbio, outra da promoção. Luísa ouvia, tomava o cappuccino, e sentia que a vida dela não rendia histórias impressionantes.
— E você, Lu? — a Marina perguntou. — Como está o estúdio?
— Tá bem. A gente pegou uns projetos legais.
— Só isso? Não vai abrir uma filial?
— Não, acho que não.
Silêncio.
Luísa sentiu o impulso de inventar. De embelezar. De dizer que estava pensando numa expansão. Mas parou.
— Eu tô feliz com o que tenho — ela disse. — O estúdio é pequeno, mas é meu. Eu escolho os clientes. Tenho tempo para o Carlos, para o Pedro, para mim.
Marina piscou.
— Que bom. Você parece mais tranquila.
— Tô.
Luísa percebeu que não precisava competir. Cada uma tinha uma trajetória. O mestrado da Marina era incrível. Mas o que ela construiu também era. Não porque fosse maior ou menor. Porque era dela.
No caminho de volta, passou na praça e sentou num banco. Toby apareceu do nada, vindo de casa com o Carlos. O cachorro pulou no colo dela.
— Tudo bem? — Carlos perguntou.
— Tudo. Só aceitando que minha vida é boa do jeito que é.
— Sempre foi.
Ele sentou ao lado. Toby deitou no colo dos dois. A tarde estava morna. Ela não precisava ser mais interessante para ninguém.
*Continua em: 471 — Carlos — Como encontrar seu grupo?*