Como sair da zona de conforto social?

Carlos

O convite veio no grupo da academia: "Vai ter uma trilha no sábado, quem topa?"

Carlos olhou a mensagem. Leu de novo. Conhecia o grupo? Conhecia. Já tinha trocado três frases com o pessoal da musculação. Mas trilha era um dia inteiro. Gente nova. Caminhada. Conversa forçada.

Ele guardou o celular.

— Que foi? — Luísa perguntou, vendo a cara dele.

— Trilha no sábado.

— Vai?

— Não conheço direito o pessoal.

— E daí? Vai conhecer.

Ele pegou o celular de novo. O dedo pairou sobre a resposta. No fim, escreveu: "Vou sim, passo o local."

Na hora que enviou, o estômago embrulhou.

Sábado, 6h30 da manhã. Carlos chegou no ponto de encontro com mochila, tênis e uma garrafa de água. O grupo era misturado: dois caras da musculação, uma moça do pilates, um instrutor e mais três pessoas que ele nunca tinha visto.

— Carlos, você veio! — o instrutor cumprimentou.

— Vim.

Na trilha, ele ficou no meio do grupo. Ouviu mais do que falou. Mas numa curva fechada, tropeçou numa pedra. O cara atrás dele segurou pelo braço.

— Calma, a subida é ingreme aqui.

— Valeu.

— De boa.

Depois disso, a conversa fluiu mais fácil. No topo, todo mundo sentou no chão, dividiu sanduíche e água. O instrutor contou uma história de uma trilha que deu errado. Todo mundo riu.

Carlos olhou em volta. A vista era bonita. Mas o que ficou foi a sensação de que tinha feito algo novo com pessoas que não julgavam.

No fim do dia, o grupo já tinha grupo no WhatsApp. Carlos saiu da zona de conforto e descobriu que do outro lado tinha só gente normal.

*Continua em: 470 — Luísa — Como se aceitar socialmente?*