Luísa sempre foi boa em conversar. Mas notou que nos últimos anos tinha parado de evoluir. Os mesmos assuntos. Os mesmos amigos. As mesmas piadas.
No estúdio, ela recebeu o briefing de um cliente novo — uma startup de tecnologia com um produto bem nichado. Ela não entendia nada do assunto. Mas em vez de passar o projeto para a Camila, decidiu mergulhar.
Ligou para uma amiga que trabalhava com tech. Leu dois artigos. Assistiu a um vídeo no YouTube. Anotou perguntas que o cliente poderia fazer.
Na reunião, ela chegou preparada.
— Você pesquisou sobre o setor — o cliente disse, surpreso.
— Pesquisei. Queria entender melhor o contexto de vocês.
O cliente relaxou na cadeira. A conversa fluiu. No fim, ele comentou:
— Raro encontrar uma designer que pergunta antes de desenhar.
Luísa saiu da reunião com uma sensação nova. Não era sobre saber tudo. Era sobre estar disposta a aprender. Toda interação social era uma chance de crescer — desde que ela chegasse com curiosidade em vez de respostas prontas.
No sábado, foi num evento de criatividade que não era a área dela. Sentou perto de uma ilustradora veterana, ouviu as histórias, fez perguntas. A ilustradora virou mentoria no fim do café.
Evoluir socialmente não era virar outra pessoa. Era se abrir para o que as outras pessoas tinham para ensinar.
*Continua em: 469 — Carlos — Como sair da zona de conforto social?*