A confraternização de fim de ano da transportadora foi num salão alugado. Carlos chegou junto com o Carlos, o chefe. Bebeu uma cerveja para soltar. Depois outra.
Na segunda cerveja, ele viu o diretor comercial e resolveu puxar assunto.
— Seu trabalho é inspirador — ele disse.
O diretor olhou para ele, sem expressão.
— Como é que é?
— A forma como o senhor conduz as reuniões... todo mundo respeita.
— Tá bebendo, Carlos?
— Só uma.
O diretor deu um tapinha no ombro dele e foi embora.
No dia seguinte, Carlos acordou com a sensação de que tinha falado besteira. Ficou remoendo a cena no chuveiro. No café da manhã, contou para Luísa.
— Foi constrangedor?
— Foi — ele disse.
— Mas ninguém morreu. O que você aprendeu?
Carlos pensou.
— Que não preciso elogiar ninguém assim. E que duas cervejas já é meu limite social.
— Pronto. Aprendeu.
Ele tomou o café em silêncio. O erro não era o fim do mundo. Era só um dado. Um termômetro. Agora sabia que em eventos sociais com chefe, uma cerveja bastava. E que elogio sincero é melhor do que bajulação.
Passou o resto do sábado de boa. O constrangimento passou. O aprendizado ficou.
*Continua em: 468 — Luísa — Como evoluir socialmente?*