Como dar um toque sobre pontualidade?

Luísa

A reunião de briefing começou 14h10. A Camila chegou 14h25, passos rápidos, cabelo roxo voando, a bolsa batendo no ombro.

— Desculpa, desculpa — ela disse, sentando. — O almoço atrasou.

Luísa anotou. Na reunião seguinte, mesma coisa. Na outra, de novo.

Camila era uma ótima sócia. Comunicativa, criativa, parceira. Mas não via a hora passar.

Luísa pensou em como dizer aquilo sem soar como chefe chata. Ensaicu duas versões na cabeça. A primeira, direta demais: "Você sempre atrasa, isso me incomoda." A segunda, fofa demais: "Amiga, sem pressão, mas..." Nenhuma das duas servia.

No fim do dia, enquanto guardavam o estúdio, Luísa falou:

— Cá, posso te falar uma coisa?

— Claro.

— Seu atraso nas reuniões tá atrasando o andamento. O briefing começa, a gente para pra te esperar, perde o ritmo.

Camila parou de guardar os pincéis.

— Nossa, é verdade. Desculpa.

— Não é desculpa. É que eu não quero que vire rotina. A gente pode começar sem você e depois te atualiza, se preferir.

— Não, não. Pode me cobrar. Eu vou me esforçar pra chegar no horário.

Luísa sorriu. Não precisou de sermão. Só do fato, do impacto e da solução. Camila entendeu.

Na semana seguinte, Camila chegou 14h. Luísa nem comentou. Só apontou pro café e continuou a reunião.

*Continua em: 467 — Carlos — Como aprender com os erros sociais?*