Carlos chegou no restaurante 18h45. O combinado era 19h. Ele gostava de chegar antes, escolher a mesa, olhar o cardápio com calma. Ajeitou a camisa azul claro, pediu água e esperou.
19h. Ninguém.
19h10. Mandou mensagem: "Tá chegando?"
Resposta: "Já tô saindo, 15 minutinhos."
Ele olhou o celular. Leu o cardápio de novo. 19h25. O garçom passou duas vezes. Carlos pediu um suco só para não ficar de mãos vazias.
O amigo chegou 19h40.
— Maluco, desculpa. O trânsito...
— Tranquilo.
Mas não estava tão tranquilo. A fome tinha passado. A paciência, também. Carlos respirou fundo. Não queria estragar o encontro.
— Vamos pedir logo — ele disse.
Durante o jantar, ele percebeu que não precisava fazer um drama. Mas também não precisava fingir que não tinha acontecido. Na hora da conta, comentou:
— Na próxima, me avisa se for se atrasar. Aí eu peço um tira-gosto enquanto espero.
O amigo riu, constrangido.
— Combinado.
Carlos pagou a parte dele e saiu. Não guardou mágoa. Mas deixou o combinado claro. Impontualidade dos outros não precisava virar sofrimento dele.
*Continua em: 466 — Luísa — Como dar um toque sobre pontualidade?*