O projeto novo caiu no estúdio na sexta de manhã. Prazo: segunda. Luísa olhou a agenda. Tinha marcado um café com a amanda, amiga de faculdade que não via há meses.
— Preciso cancelar o café — ela disse para Camila.
— Cancela.
— Mas a gente marcou faz tempo.
— E daí? A Amanda vai entender.
Luísa pegou o celular. Escreveu: "A_miga, preciso cancelar o café de amanhã. Surgiu um projeto urgente aqui." Leu em voz alta. Parou. Estava seco demais.
Apagou.
Repensou. A questão não era cancelar. Era remarcar. Manter a ponte.
Escreveu de novo: "A_manda, chegou um projeto de última hora aqui no estúdio com prazo pra segunda. Vou ter que cancelar nosso café de amanhã. Mas quero muito te ver — posso te avisar na semana que vem pra gente remarcar?"
Enviou.
A resposta veio rápido: "Claro, amiga! Sem problema. Me avisa quando tiver um buraco. Boa sorte no projeto!"
Luísa sorriu. A regra era simples: avisar com antecedência, ser honesta sobre o motivo sem se alongar demais, e já deixar claro que queria manter o contato. Pessoa que se importa espera. Pessoa que não se importa, também não precisa de explicação elaborada.
Ela fechou o chat e abriu o arquivo do projeto. Segunda-feira ia ser longa. Mas pelo menos não ia ter culpa na consciência.
*Continua em: 465 — Carlos — Como lidar com a impontualidade alheia?*