O grupo do trabalho tinha um novo hábito: happy hour toda quinta. Carlos olhou a mensagem no celular e sentiu o peso no peito.
— É o pessoal da transportadora? — Luísa perguntou da cozinha.
— É. Happy hour hoje.
— Vai?
Ele encostou o celular na mesa. A última vez que foi, gastou dinheiro que não tinha, bebeu para socializar e voltou com dor de cabeça. A comida era cara, o bar era longe, e ele passou a noite inteira ouvindo o chefe do financeiro falar de futebol.
— Não quero ir — ele disse.
— Então fala que não vai.
— Mas já falaram que vai ter pizza. Se eu não for, vão achar...
— Carlos.
Ela apoiou a mão no ombro dele.
— Você não deve satisfação.
Ele pegou o celular de novo. Olhou para a tela. O dedo pairou sobre o teclado. Sentiu a vontade de escrever um parágrafo de desculpas: "ah, é que estou meio cansado, e tenho que acordar cedo, e a Luísa marcou um negócio..." Mas parou.
Respirou. E escreveu: "Não vou poder hoje. Aproveitem!"
Enviou.
O coração acelerou. Três segundos. A resposta chegou: "Tranquilo, próxima!"
Ele soltou o ar. Era só isso. Um convite não era uma intimação. Um "não" educado não queimava pontes. E ninguém precisava saber o motivo.
Guardou o celular e foi para o sofá. A quinta-feira dele tinha acabado de melhorar.
*Continua em: 464 — Luísa — Como remarcar um encontro?*