O casamento tinha começado. O padre abençoava as alianças. Todo mundo em silêncio. Foi quando a porta da igreja rangeu.
Luísa virou a cabeça. Três pessoas entravam na ponta dos pés, olhando em volta, procurando lugar. O barulho dos passos no mármore ecoou.
Ela reconheceu a tia Ceição e mais dois primos. Atrasados.
A tia Ceição parou no fundo, sem saber onde sentar. Mexeu na bolsa. O barulho do zíper chamou atenção de quem estava perto.
Luísa se levantou devagar, sem fazer barulho, e foi até o fundo. Sorriu pra tia.
— Tia, senta aqui com a gente. Tem lugar.
— Desculpa, filha, o trânsito...
— Imagina. Vem.
Ela guiou a tia e os primos até os bancos vazios perto do corredor. Ajudou um a sentar, indicou o outro. Ninguém falou nada. O padre continuou a cerimônia.
Quando todo mundo estava sentado, ela voltou pro lugar. Carlos olhou pra ela, e ela só balançou a cabeça: *resolvido.*
Depois da cerimônia, no jardim da igreja, a tia Ceição veio falar com ela.
— Obrigada, Lu. A gente se perdeu no caminho.
— Tudo bem, tia. O importante é que chegou.
— Mas atrapalhou?
— Atrapalhou nada. Cerimônia longa, vocês chegaram na parte boa.
A tia sorriu, aliviada, e foi tirar foto com a noiva.
Luísa tomou um gole de água. Convidado atrasado sempre ia ter. O importante era não fazer a pessoa se sentir pior do que já estava.
*Continua em: 463 — Carlos — Como recusar um convite sem dar explicações?*