O casamento ia começar em cinco minutos. A igreja estava cheia. O padre já estava no altar. Mas lá no fundo, um grupo de convidados conversava alto, rindo, sem perceber que o órgão já tinha começado a tocar.
Carlos olhou pra trás do banco. Era o pessoal do trabalho da noiva. Gente animada demais.
— Vou ter que pedir silêncio — ele murmurou pra Luísa.
— Como?
— Não sei. Não quero ser grosseiro.
— Só pede.
Ele respirou fundo, se levantou e foi até o fundo da igreja. Os passos ecoaram no piso de mármore. Quando chegou perto, o grupo continuava conversando. Um deles segurava um copo de água, gesticulando.
— Pessoal — Carlos disse, baixo, com um sorriso leve. — A cerimônia vai começar. Depois a gente conversa na festa, que aí dá pra falar à vontade.
O grupo olhou pra ele. O homem do copo de água parou de gesticular.
— Fechou, chefia — um deles respondeu.
— Não é chefia não. É que a noiva merece silêncio na hora do sim.
Eles concordaram com a cabeça. Um se sentou, os outros seguiram. Carlos voltou pro banco e sentou.
— Suave? — Luísa perguntou.
— Suave.
O órgão aumentou. A noiva apareceu na porta. Todo mundo se virou. Silêncio total. Carlos relaxou no banco. Não precisava de autoridade. Só de um pedido educado e uma justificativa que fizesse sentido.
*Continua em: 462 — Luísa — Lidar com convidados que chegam atrasados na cerimônia*