Luísa recebeu o convite de aniversário pelo Instagram. A prima Jussara ia fazer quarenta anos e a festa era num sábado, num salão em Curitiba. *"Ansiosa pra te ver!"*, a legenda dizia.
Ela não queria ir.
Não era nada pessoal. A Jussara era legal. Mas sábado era o único dia que ela tinha livre, e ela queria ficar em casa. Só não queria ter que explicar tudo.
— Vai? — Carlos perguntou, lendo por cima do ombro.
— Não.
— Vai falar o quê?
— Que não vou.
Ela abriu a conversa e digitou: *"Jussara, obrigada pelo convite! Não vou conseguir ir, mas desejo uma festa linda. Beijo!"*
— Só isso? — Carlos perguntou.
— Só.
— E se ela perguntar por quê?
— Ela não vai perguntar.
A Jussara respondeu em segundos. *"Ah, que pena! Mas obrigada pela mensagem. Beijo!"*
— Pronto — Luísa disse.
— Ela não perguntou.
— Não. Porque não é educado. Quando a pessoa recusa educadamente, a resposta certa é aceitar.
Carlos balançou a cabeça, pensativo.
— É o protocolo social. A pessoa recusa, a outra aceita. Ninguém fica sem graça.
— Funciona.
— Sempre funciona.
Ela guardou o celular. O convite tava recusado. Ninguém tinha se magoado. E ela ganhou o sábado livre.
*Continua em: 461 — Carlos — Pedir silêncio durante cerimônia sem ser autoritário*