Luísa abriu uma planilha no notebook e escreveu no topo: *Festa de aniversário do Pedro — Convidados*. O Pedro ia fazer onze anos e queria uma festa no salão do prédio. Só que a lista de convidados estava virando um pesadelo.
— Sua mãe já mandou uma lista — Carlos disse, aparecendo com duas xícaras de café.
— Minha mãe mandou?
— Mandou. Pelo WhatsApp. Doze nomes.
— Mas ela não é mãe do Pedro.
— Ela quer ajudar.
Luísa olhou pra lista que ela mesma tinha feito. Os amigos da escola do Pedro. Sete nomes. Mais a Clarinha, o Beto, o Seu Antônio, a Dona Lúcia.
— Se a gente colocar todo mundo que cada parente sugerir, a festa vai ter mais adulto que criança.
— E aí?
— Aí a festa é do Pedro. Não é jantar de família.
Ela pegou o celular e ligou pra Dona Margô.
— Mãe, sobre sua lista. O Pedro que escolhe os convidados.
— Mas eu só coloquei família.
— Eu sei. Mas a festa é dele. Se ele quiser chamar só os amigos da escola, a gente respeita.
A Dona Margô ficou quieta. Depois: — Tá bom. Mas pelo menos deixa eu levar o bolo.
— Pode levar o bolo.
Luísa desligou e olhou pra Carlos.
— Resolvido. A lista é do Pedro. A gente orienta, ele decide.
— E se ele esquecer alguém?
— Aí a gente pergunta: *tem mais alguém que você quer chamar?* Se ele disser que não, é não.
— Simples.
— Simples.
Luísa salvou a planilha e fechou o notebook. A lista tinha oito nomes. Os amigos do Pedro, os pais dele e ela. O resto era opcional.
*Continua em: 459 — Carlos — Pedir para amigo ser mestre de cerimônias*