Como ser sincero sobre não querer ir a um evento?

Luísa

Luísa atendeu o telefone da Dona Margô e já sabia o que vinha.

— Filha, sábado vai ter jantar aqui em casa. A tiana Tiana vem, a prima Jussara, todo mundo. Você vem com o Carlos, né?

Luísa segurou o telefone entre o ombro e a orelha enquanto tirava a comida da geladeira. A semana tinha sido pesada no estúdio. Ela só queria sábado em casa, de pijama, sem maquiagem.

— Mãe, eu não vou sábado.

— Por quê?

— Porque eu tô cansada e quero ficar em casa.

— Ah, filha, mas a tia Tiana vem de longe.

— Eu sei. Mas eu não vou.

Silêncio. Depois a Dona Margô suspirou.

— Tudo bem. Mas pelo menos aparece no domingo.

— Domingo a gente vê. Beijo, mãe.

Ela desligou e colocou o celular na mesa. Carlos apareceu na porta.

— Você falou que não ia?

— Falei.

— E ela?

— Ficou quieta, mas aceitou.

— Você foi sincera.

— Fui. É melhor do que inventar história.

Carlos sentou na cadeira. — E se ela ficar magoada?

— Ela pode ficar. Mas eu também tenho direito de não ir. Não sou obrigada a ir em tudo.

Ela abriu a geladeira e tirou um pote de sopa. O cheiro de abóbora com gengibre encheu a cozinha. Colocou pra esquentar.

— É sobre isso — ela disse, mexendo a sopa. — Ser sincera é falar a verdade sem culpa. Ela vai entender.

No sábado, Luísa acordou tarde, ficou de pijama até o almoço e leu um livro na varanda. O sol quente batia no braço. O celular tocou — mensagem da Dona Margô. *"Tá tudo bem, filha. Descansa. Semana que vem a gente se vê."*

Ela sorriu e respondeu um coração.

*Continua em: 457 — Carlos — Confirmar presença em evento por e-mail*