Luísa fechou a porta do apartamento e apoiou a testa na madeira. O casamento tinha sido lindo. A festa, animada. Ela dançou, conversou, comeu bem. Mas quando entrou em casa, sentiu o peso do salto nos pés e o cansaço no fundo dos ossos.
— Eu vou desmoronar aqui mesmo — ela disse, tirando o blazer.
Carlos já tinha tirado o sapato e estava sentado no sofá, meias nos pés.
— Vou fazer um chá.
— Não. Só deixa eu ficar quieta cinco minutos.
Ela sentou no braço do sofá e tirou o brinco. Deixou ele cair na mão. A ponta da orelha doía.
— Quer que eu prepare um banho? — Carlos perguntou.
— Isso sim.
Ele foi pro banheiro. Ela ouviu a água correndo, o barulho do chuveiro batendo no box. Ficou ali, na quietude, sem música, sem conversa, sem ninguém pedindo atenção.
Depois se levantou, foi até o quarto e trocou a roupa social por uma camiseta velha e shorts. O tecido macio tocou a pele.
Entrou no banheiro. O vapor subia, o cheiro do sabonete de ervas enchia o ar. Ela entrou no banho e deixou a água quente cair nos ombros. Fechou os olhos. A tensão do dia foi escorrendo pelo ralo.
Quando saiu, enxugou o cabelo com a toalha e encontrou um copo de água gelada no criado-mudo. Deitou na cama e sentiu o colchão abraçar o corpo.
— Melhor? — Carlos perguntou, deitado do lado.
— Muito. Próximo evento, vou precisar de duas horas de recuperação.
— Conta comigo pra segurar a onda.
Ela sorriu no escuro e fechou os olhos. O silêncio do quarto era o melhor presente depois de um dia inteiro de gente.
*Continua em: 455 — Carlos — Dar desculpa para não ir a evento*