Carlos colocou o despertador uma hora mais cedo no sábado. Casamento do primo às dezesseis, mas a Luísa tinha dito que preparação começava cedo.
— Não adianta deixar tudo pra última hora — ela disse na noite anterior.
— É um casamento, não um vestibular.
— Você vai me agradecer amanhã.
Ela tinha razão.
De manhã, Carlos colocou a camisa azul clara no cabide e passou vapor nos vincos. Separou o sapato, conferiu se o cinto combinava, deixou tudo pendurado na porta do guarda-roupa. Depois tomou café, comeu uma tapioca, não inventou nada pesado.
— Por que café tão cedo? — ele perguntou pra Luísa, que já estava de cabelo preso.
— Porque a tarde a gente usa pra se arrumar com calma. Não vai ficar correndo.
Às quatorze, ele tomou banho, vestiu a roupa e se olhou no espelho. Tinha tempo. Ajeitou o colarinho, passou um pente no cabelo, colocou o relógio. Saiu do banheiro com a sensação de que o dia tava no controle.
— Viu? — Luísa disse, pronta também. — Sem estresse.
— Tô pronto meia hora antes.
— Meia hora é a margem de segurança.
No carro, o GPS marcou vinte minutos até a igreja. Carlos ligou o ar condicionado e sentiu o tecido fresco da camisa contra a pele. O sol da tarde entrava pelo vidro. Ele tinha tempo de sobra.
*Continua em: 454 — Luísa — Recarregar energias após evento social*