Carlos segurou a segunda latinha de cerveja e hesitou. A festa do Beto tava animada — churrasco no quintal, música alta, o primo do Beto já tinha ido pro terceiro copo de caipirinha e começado a cantar.
— Bora, Carlão — o primo insistiu, balançando o copo. — Mais uma.
— Já tô no segundo.
— Segunda é água, pô.
Carlos riu, mas não pegou a caipirinha. Leu numa matéria uma vez que o limite seguro era até duas doses de álcool por noite. Depois da segunda, o julgamento começava a ir embora antes da pessoa perceber.
— Vou ficar na cerveja mesmo.
— Fracote.
— Prefiro fracote a passar vergonha.
O primo riu e virou a caipirinha de uma vez.
Duas horas depois, Carlos tava no terceiro copo de água com gás, bem alimentado — comeu três espetinhos de carne, uma farofa, uma maçã que achou na fruteira. O primo do Beto tava sentado no degrau da área de serviço, arrastando as palavras pra contar uma história que ninguém entendia.
Beto chegou perto de Carlos e balançou a cabeça.
— Toda festa ele faz isso.
— Tá bonito.
— Você tá sóbrio ainda?
— Tô.
— Melhor. Me ajuda a tirar ele do sol.
Carlos levantou e pegou o primo pelo braço. O homem pesava, mas ele conseguiu levar até o sofá da sala. Colocou um copo de água na mesa do lado.
— Bebe isso. Vai passar.
O primo resmungou alguma coisa. Carlos sentou do lado, sentindo o cheiro de carne na própria roupa. Não tinha passado vergonha. Tinha comido bem, bebido devagar, e ajudado a levar o parente pra casa.
*Continua em: 450 — Luísa — Recusar bebida em um evento*