Luísa ajeitou o blazer vinho na frente do espelho do elevador. O Estúdio Cria tinha sido convidado pra noite de lançamento de um cliente grande — uma construtora que queria rebranding. A sócia dela, a Fernanda, estava gripada e tinha passado o evento pra ela.
— Você vai representar o estúdio sozinha — a Fernanda disse no telefone. — Só não fala mal de ninguém, não bebe demais, e volta com contato.
— Fácil.
Não era tão fácil.
O evento era num rooftop na região dos jardins. Gente de terno, taças de espumante, música ambiente. Luísa entrou, cumprimentou o recepcionista e pegou um crachá.
No salão, ela reconheceu o diretor de marketing da construtora, o Sérgio, de uma reunião online. Ele estava perto do bar, conversando com um grupo.
— Sérgio! — ela chamou, se aproximando. — Luísa, do Estúdio Cria. A gente teve a reunião de briefing mês passado.
— Luísa, claro! Que bom que você veio. A Fernanda não pôde?
— Ela está gripada. Mandei ela descansar.
— Fez bem. Deixa eu te apresentar pro pessoal.
Ele fez as apresentações. Gente de fornecedores, outros profissionais de design, um fotógrafo que já tinha trabalhado com eles. Luísa apertou mãos, sorriu, fez perguntas sobre o trabalho de cada um. Bebeu água com gás — espumante só na hora do brinde.
— E o estúdio de vocês — um homem de barba perguntou. — O que tão fazendo de diferente?
Luísa pensou antes de responder. Não era hora de vender, era hora de plantar.
— A gente tá focando em projetos com identidade regional. O cliente quer se conectar com a cidade, a gente ajuda a contar essa história.
O homem concordou, interessado. Puxou o celular.
— Troca contato comigo. Pode ser que a gente tenha uma demanda.
Ela passou o número. Quando olhou em volta, a noite tinha avançado. O rooftop estava cheio, a música mais alta, as luzes da cidade piscando lá embaixo.
Luísa tomou o último gole de água com gás, se despediu do Sérgio e foi embora com o contato novo no celular e uma sensação boa de ter acertado o tom.
*Continua em: 449 — Carlos — Beber em um evento social sem passar vergonha*